
Dunga durante entrevista coletiva na Copa do Mundo
A CBF foi condenada pela Justiça a pagar indenização a dois torcedores baianos devido ao comportamento “áspero, grosseiro e inconveniente, inclusive com palavras de baixo calão e gestos obscenos” do técnico Dunga durante a Copa do Mundo da FIFA.
Essa história me leva a pensar em duas coisas simultâneas:
1. Imagina se o torcedor começar a entrar na Justiça por tudo que os técnicos e dirigentes falam em suas entrevistas coletivas? Luxemburgo, Muricy, Leão, Nuzman, Perrela etc, iriam frequentar mais os tribunais do que as agremiações esportivas. Não seria legal?!?!?! Eu acho que sim…
2. As entidades esportivas deveriam se preocupar mais com a imagem que seus representantes expõem à mídia. E chamo de representante qualquer profissional que represente a entidade: técnico, jogador, dirigente, assessor de imprensa, diretor, roupeiro, gandula… seja ele quem for. Episódios iguais a de Dunga xingando o reporter da Globo, durante entrevista coletiva na África do Sul, estão cada vez mais comuns e, aparentemente, nenhuma entidade realiza um devido treinamento de como se comportar diante das câmeras. É básico isso! Mas ninguém se preocupa, pois nada acontece.
Talvez o pagamento dessa multa por parte da CBF seja um novo começo. Duvido, mas quem sabe….

oops!
Durante essa semana o banco francês Credit Agricole SA suspendeu a exibição de propagandas de televisão em que astros da seleção francesa de futebol aparecem. A enorme confusão em que se encontra a agremiação francesa foi o motivo da ação.
O problema é simples: não vincular a imagem da empresa à uma associação esportiva que apresente problemas publicamente. A ação pode ter algumas interpretações e reações do mercado. Mas é comum atletas profissionais se envolverem em confusões dentro e fora do âmbito esportivo. E o pior: muitas vezes as imagens são exibidas por TV e internet. Nesse momento a marca da empresa é automaticamente vinculada aos acontecimentos.
A seleção francesa não é a única a sofrer esse tipo de recuo de patrocínios. Tiger Woods perdeu boa parte dos seus apoiadores após se envolver em escândalos extraconjugais. É difícil julgar como errada esse tipo de atitude. Como ficaria a imagem da empresa nesses acontecimentos? Cumplicidade? Descaso? É realmente complicado.
O que é importante é que toda gestão de marketing esportivo tem que se preocupar com a imagem de sua equipe e/ou atleta. Brigas, escândalos, entrevistas mal executadas etc, são armadilhas que devemos ficar atentos.
A NBA possui cartilha de comportamento de todos os atletas da liga. Todos, eu disse. Envolve desde da roupa utilizada até obrigação de presença nos inúmeros programas sociais desenvolvidos por eles. Essa é uma forma de minimizar o envolvimento de seus atletas com eventuais problemas e evitar expor a marca da liga e seus patrocinadores.
No futebol brasileiro há muito o que se aprender nesse sentido. Outro dia assisti no Globo Esporte o filho do Jorge Henrique (atacante do Corinthians) jogando bola no treino. Uma imagem ingênua de uma criança “batendo sua bola”. Porém ela estava vestindo uma camiseta com a logo marca da Adidas, concorrente direto da Nike patrocinadora do clube. A imagem foi vinculada para todo o território nacional. Nessas horas me pergunto: em que lugar estava a assessoria corintiana para evitar esse tipo de gafe?
É, precisamos aprender muito ainda.