
Durante a pior primeira rodada da história das Copas do Mundo, muitos devaneios vieram à tona. Explicações para a falta de gols e baixa qualidade técnica. Jabulani, vuvuzelas, esquemas táticos, baixa qualidade dos jogadores e excesso de seleções no mundial.
Esse suposto inchaço que gostaria de analisar nesse post.
Atualmente são 32 seleções que disputam a Copa do Mundo da FIFA. Mas não foi sempre assim. Até o mundial de 1998 disputado na França a quantidade de agremiações era de 24. Edições anteriores o número era menor ainda.
A história nos mostra que o aumento do número de seleções foi puramente político durante a gestão de João Havelange (1974 – 1998). O aumento do número de vagas para as confederações asiáticas e, principalmente, africanas garantiram valiosos votos em suas intermináveis reeleições e para a eleição se seu sucessor Joseph Blatter.
Para muitos comentaristas e especialistas esses fatos são responsáveis por inchar a competição com seleções de qualidade técnica duvidosa.
A quantidade de seleções não indica, necessariamente, eventual queda técnica da competição. Inclusive, para a FIFA, a Copa do Mundo é a fase final da competição. Para a entidade, as eliminatórias já são consideradas fases iniciais do mundial. A visão é interessante, afinal de contas foram 200 seleções que disputaram vagas na África do Sul.
Utilizarei o ranking da FIFA como base para verificar a qualidade técnica das equipes no mundial – veja como é realizado cálculo das pontuações do ranking. Dos 32 primeiros colocados no ranking, somente 8 não estão presentes na África: Croácia (10o), Rússia (11o), Egito (12o), Noruega (22o), Ucrânia (23o), Israel (26o), Romênia (28o) e Turquia (29o).
Analisando essa informação:
- a grande maioria das 32 melhores seleções do mundo estão representadas no mundial;
- das oito seleções “excluídas” 7 são “européias” (disputaram as eliminatórias da Europa) e somente 1 é africana;
Outro ponto interessante ao analisar o ranking da FIFA, está em relação às seleções asiáticas: não há nenhuma seleção entre as 32 melhores. A melhor colocada é a do Japão (45o) seguida pela Coréia do Sul (47o). Então, se fizéssemos uma Copa do Mundo somente com os 32 primeiros do ranking não exisitiram seleções da Ásia e, muito menos, da Oceania. Mas deixaria de ser mundial, certo? Além disso, a presença de seleções do nível de Noruega, Ucrânia e Israel iriam mesmo aumentar a qualidade das partidas disputadas? Será que o futebol europeu está tecnicamente superior às demais regiões do planeta?
Outro ponto de vista defendido pelos especialistas é justamente ao número de seleções: 32 é muito alto, deveríamos ter um número reduzido. Se partirmos do princípio que 16 seleções seria um número bom e considerando o ranking da FIFA, somente Croácia, Rússia e Egito estariam jogando. Mas de nada impediria a França (9o) de participar. Essa mesma seleção que é a grande decepção da atual edição.
Concluo, com esses dados, que não se deve justificar a baixa qualidade técnica observada, até o momento, na Copa do Mundo 2010 ao grande número de seleções ou ao sistema de classificação. Reitero que está ligado à baixa qualidade dos técnicos e jogadores ao redor do Mundo.
Podemos citar alguns pontos para essa mediocridade técnica mundial: falta de criatividade para esquemas táticos, os jogadores são endeusados sem os devidos créditos, a transformação do esporte em negócio (acredito como inevitável) e exportação prematura de jogadores aos mercados europeus em detrimento das competições locais. Esses são os pontos que deveriam ser estudados e melhorados.