29/06/2010

O submundo da FIFA

Filed under: Futebol — Gustavo Scalzilli @ 09:48

Foi publicado no Estado de São Paulo uma entrevista com Andrew Jennings jornalista escocês que investiga a corrupção na FIFA e no COI.

A entrevista foi divulgada no blog do Juca Kfouri e pode ser acessada aqui.

Imperdível para todos nós entendamos como funciona a entidade máxima do futebol e qual o motivo que coisas tão simples como o recurso eletrônico em partidas da Copa do Mundo não são postas em prática.

É tudo uma grande vergonha que muitos de nós já sabíamos. Mas é difícil quando jogam na nossa cara.

28/06/2010

Atraso tecnológico

Filed under: Copa do Mundo 2010 — Gustavo Scalzilli @ 12:12
A bola entrou. Só o juiz "não viu".
A bola entrou. Só o juiz “não viu”.

A Copa do Mundo da FIFA 2010 já iniciou a sua fase eliminatória. E, infelizmente, a arbitragem está influenciando nos resultados finais. Esse fato não é novo e continuará acontecendo se a entidade máxima do futebol mundial não sair de seu atraso tecnológico.

O gol impedido da Argentina e a bola que entrou no ataque da Inglaterra são erros clamorosos que seriam sanados com o simples uso das imagens de TV. É simples. Muito simples. Em grandes competições como Wimbledon, futebol americano da NFL e até NBA, esse recurso é utilizado com sucesso.

Todos nós sabemos que a arbitragem é sucetível a erros. É normal. Os recursos tecnológicos estariam presentes para sanar dúvidas que poderiam, ou não, alterar o resultado final de uma partida. Mas isso a FIFA não quer. Ela considera que erros da arbitragem “fazem parte do espetáculos”. É ridículo! Com tantos bilhões de dólares envolvidos na organização, patrocínio, treinos e transmissões de uma Copa do Mundo, é inadimíssivel que ainda se considere erros desse porte “normais.”

Seria muito simples em competições internacionais cada técnico possuir um desafio por tempo. Ele poderia pedir que uma decisão da arbitragem fosse “desafiada”. Simples. Isso resolveria um grande número de problemas que vemos hoje e que ajudaram a eliminar as seleções da Inglaterra e México da competição.

Muito se diz que os resultados seriam diferentes caso esses gols teriam sido revistos. Não sei. Mas é fato que as classificações serão questionadas sempre com a pergunta: “E se o juiz tivesse voltado atrás?” Quem perde é o esporte. Sempre.

24/06/2010

Maratona na grama

Filed under: Tênis — Gustavo Scalzilli @ 13:35

cansaço_wimbledon

Era um jogo de tênis. Era em Wimbledon. A quadra não era a principal. Os jogadores eram meros coadjuvantes: John Isner (cabeça de chave 23) e Nicolas Mahut. Tinha tudo para ser um simples jogo da primeira rodada. Mas o jogo foi adiado no primeiro dia por falta de luz. Estavam no 5o e último set.

Recomeçaram no dia seguinte. E após 7h de jogo tiveram que adiar novamente por falta de luz natural. Já eram aproximadamente 10h de tênis e estava 59×59 no último set. Não é basquete! É tênis e esse era o placar. Inacreditável.

Hoje retornaram à quadra para terminar o jogo mais duradouro da história do tênis. Isner venceu por 70 x 68 o último set. Após 11h5min de jogo. Total de 215 aces e 980 pontos disputados. Inacreditável!!

Ambos os jogadores entraram para a história no jogo de maior duração de todos os tempos. Houve reconhecimento por parte da organização de Wimbledon que premiou ambos os tenistas e o juiz de cadeira, por essa partida. Para os fãs de esporte é uma amostra da superação dos atletas em busca do resultado. Lindo demais!

22/06/2010

A imagem do patrocinador

Filed under: Marketing Esportivo — Gustavo Scalzilli @ 12:08
oops!

oops!

Durante essa semana o banco francês Credit Agricole SA suspendeu a exibição de propagandas de televisão em que astros da seleção francesa de futebol aparecem. A enorme confusão em que se encontra a agremiação francesa foi o motivo da ação.

O problema é simples: não vincular a imagem da empresa à uma associação esportiva que apresente problemas publicamente. A ação pode ter algumas interpretações e reações do mercado. Mas é comum atletas profissionais se envolverem em confusões dentro e fora do âmbito esportivo. E o pior: muitas vezes as imagens são exibidas por TV e internet. Nesse momento a marca da empresa é automaticamente vinculada aos acontecimentos.

A seleção francesa não é a única a sofrer esse tipo de recuo de patrocínios. Tiger Woods perdeu boa parte dos seus apoiadores após se envolver em escândalos extraconjugais. É difícil julgar como errada esse tipo de atitude. Como ficaria a imagem da empresa nesses acontecimentos? Cumplicidade? Descaso? É realmente complicado.

O que é importante é que toda gestão de marketing esportivo tem que se preocupar com a imagem de sua equipe e/ou atleta. Brigas, escândalos, entrevistas mal executadas etc, são armadilhas que devemos ficar atentos.

A NBA possui cartilha de comportamento de todos os atletas da liga. Todos, eu disse. Envolve desde da roupa utilizada até obrigação de presença nos inúmeros programas sociais desenvolvidos por eles. Essa é uma forma de minimizar o envolvimento de seus atletas com eventuais problemas e evitar expor a marca da liga e seus patrocinadores.

No futebol brasileiro há muito o que se aprender nesse sentido. Outro dia assisti no Globo Esporte o filho do Jorge Henrique (atacante do Corinthians) jogando bola no treino. Uma imagem ingênua de uma criança “batendo sua bola”. Porém ela estava vestindo uma camiseta com a logo marca da Adidas, concorrente direto da Nike patrocinadora do clube. A imagem foi vinculada para todo o território nacional. Nessas horas me pergunto: em que lugar estava a assessoria corintiana para evitar esse tipo de gafe?

É, precisamos aprender muito ainda.

20/06/2010

O inchaço da Copa do Mundo

Filed under: Copa do Mundo 2010 — Gustavo Scalzilli @ 10:50

gordura-extra

Durante a pior primeira rodada da história das Copas do Mundo, muitos devaneios vieram à tona. Explicações para a falta de gols e baixa qualidade técnica. Jabulani, vuvuzelas, esquemas táticos, baixa qualidade dos jogadores e excesso de seleções no mundial.

Esse suposto inchaço que gostaria de analisar nesse post.

Atualmente são 32 seleções que disputam a Copa do Mundo da FIFA. Mas não foi sempre assim. Até o mundial de 1998 disputado na França a quantidade de agremiações era de 24. Edições anteriores o número era menor ainda.

A história nos mostra que o aumento do número de seleções foi puramente político durante a gestão de João Havelange (1974 – 1998). O aumento do número de vagas para as confederações asiáticas e, principalmente, africanas garantiram valiosos votos em suas intermináveis reeleições e para a eleição se seu sucessor Joseph Blatter.

Para muitos comentaristas e especialistas esses fatos são responsáveis por inchar a competição com seleções de qualidade técnica duvidosa.

A quantidade de seleções não indica, necessariamente, eventual queda técnica da competição. Inclusive, para a FIFA, a Copa do Mundo é a fase final da competição. Para a entidade, as eliminatórias já são consideradas fases iniciais do mundial. A visão é interessante, afinal de contas foram 200 seleções que disputaram vagas na África do Sul.

Utilizarei o ranking da FIFA como base para verificar a qualidade técnica das equipes no mundial – veja como é realizado cálculo das pontuações do ranking. Dos 32 primeiros colocados no ranking, somente 8 não estão presentes na África: Croácia (10o), Rússia (11o), Egito (12o), Noruega (22o), Ucrânia (23o), Israel (26o), Romênia (28o) e Turquia (29o).

Analisando essa informação:

  • a grande maioria das 32 melhores seleções do mundo estão representadas no mundial;
  • das oito seleções “excluídas” 7 são “européias” (disputaram as eliminatórias da Europa) e somente 1 é africana;

Outro ponto interessante ao analisar o ranking da FIFA, está em relação às seleções asiáticas: não há nenhuma seleção entre as 32 melhores. A melhor colocada é a do Japão (45o) seguida pela Coréia do Sul (47o). Então, se fizéssemos uma Copa do Mundo somente com os 32 primeiros do ranking não exisitiram seleções da Ásia e, muito menos, da Oceania. Mas deixaria de ser mundial, certo? Além disso, a presença de seleções do nível de Noruega, Ucrânia e Israel iriam mesmo aumentar a qualidade das partidas disputadas? Será que o futebol europeu está tecnicamente superior às demais regiões do planeta?

Outro ponto de vista defendido pelos especialistas é justamente ao número de seleções: 32 é muito alto, deveríamos ter um número reduzido. Se partirmos do princípio que 16 seleções seria um número bom e considerando o ranking da FIFA, somente Croácia, Rússia e Egito estariam jogando. Mas de nada impediria a França (9o) de participar. Essa mesma seleção que é a grande decepção da atual edição.

Concluo, com esses dados, que não se deve justificar a baixa qualidade técnica observada, até o momento, na Copa do Mundo 2010 ao grande número de seleções ou ao sistema de classificação. Reitero que está ligado à baixa qualidade dos técnicos e jogadores ao redor do Mundo.

Podemos citar alguns pontos para essa mediocridade técnica mundial: falta de criatividade para esquemas táticos, os jogadores são endeusados sem os devidos créditos, a transformação do esporte em negócio (acredito como inevitável) e exportação prematura de jogadores aos mercados europeus em detrimento das competições locais. Esses são os pontos que deveriam ser estudados e melhorados.

18/06/2010

Apito amigo

Filed under: NBA — Gustavo Scalzilli @ 10:38

Lakers campeão da NBA 2010

Ontem a noite o Los Angeles Lakers se sagrou campeão da NBA, temporada 2009/2010. Foi o seu décimo sexto título. Uma hegemonia que divide com o Boston Celtics (17 títulos) ao longo da história da liga de basquete mais famosa do planeta.

As finais foram exatamente como esperavam os chefões da liga: encontro entre as duas franquias mais famosas e vitoriosas, jogos acirrados e tudo decidido num sétimo e último jogo. Os jogos foram realmente equilibrados com altos e baixos de ambas as equipes. Mas o que mais me chamou a atenção foi a arbitragem, infelizmente.

É notório que os árbitros da NBA apitam os jogos dos playoffs e, consequentemente, as finais de maneira mais branda. Para deixar o jogo fluir e ter aquela impressão de jogo duro, “pegado”. Tem jogadas que a pancadaria rola solta e nada é assinalado. Segundos depois, um simples esbarrão é falta. Tudo isso torna o jogo (ou espetáculo, como os estadunidenses gostam de pregar) um show de arbitragem no mínimo contraditória. A ” lei da compensação” acontece durante todo o jogo: erros de marcações são compensadas segundos depois com faltas inexistentes. Há quem ache isso tudo normal. Mas, convenhamos, para a auto intitulada melhor liga do planeta, esse tipo de atitude é depravante e mancha o “espetáculo”.

Outro ponto interessante são os números de títulos das duas equipes em quadra nessa quinta-feira a noite: 33 títulos contra 31 dos demais campões. É a nítida influência do dinheiro nos resultados da liga, mesmo que ocorra o Draft todo o ano. E isso vai de encontro ao pregado equilíbrio da competição. Mas isso é pauta para outra discussão em breve.

Parabéns ao Lakers e ao Pau Gasol, o MVP das finais (e não Kobe Bryant, o eleito) para a minha humilde opinião.

17/06/2010

Coitada da Jabulani

Filed under: Copa do Mundo 2010 — Gustavo Scalzilli @ 16:11

adidas-jabulani

Por incrível que possa parecer, a principal estrela do pré e durante Copa do Mundo é a Jabulani. Sim, a bola utilizada nas partidas em solo sul africano.

Durante os treinos alguns jogadores, principalmente brasileiros, diga-se, reclamaram da nova bola que seria utilizada na competição. Eram várias as justificativas: mais leve, pinga muito, corre demais, faz muita curva. Goleiros, atacantes e pernas de pau foram ouvidos e a maioria execrou a coitada da Jabulani. Incrível, que aqueles patrocinados pela Adidas apareciam beijando-a durante treinos e jogos amistosos.

Bom, e a Copa começou! E, ao término da primeira rodada, foi constatada a menor média de gols da história. E ainda continuam culpando a Jabulani. E eu, que estou acompanhando todas as partidas, tenho que sair em sua defesa. Alguém tem que fazer isso.

Estão judiando da Jabulani!!! Ela quem deveria ser entrevistada e reclamar dos maus tratos que está recebendo em gramados sul africanos. A quantidade de oportunidades de gol foram baixas, esquemas puramente defensivos e, principalmente, jogadores muito ruins.

Salvo excessões, a qualidade técnica dos jogadores está muito baixa. Não é das seleções consideradas de segunda linha, mas também das seleções de primeiro mundo. Só para citar algumas: França, Dinamarca e Brasil. Um trio de conhecido futebol mais clássico, fizeram partidas pífias em suas estréias. A culpa é da bola?!? Todas as seleções realizaram treinos de, na média, 3 semanas antes da competição. E em todos os treinos as bolas utilizadas foram as famosas Jabulanis. E até agora os profissionais da bola não conseguem se adaptar a ela. Hummm, me engana que eu gosto.

Havia um tempo que a culpa era do gramado, aí começaram a falar do calor, passaram pela altitude e agora é a bola. Fico imaginando qual será a próxima desculpa para justificar a péssima qualidade dos jogadores de futebol mundo afora. Jogadores que ganham, em muitos casos, fortunas que qualquer ser humano sequer irá ter contato um dia.

Ah!!! Tem as vuvuzelas!! Esqueci delas!! Me engana que eu gosto.