19/08/2010

A imagem da organização

Filed under: Copa Libertadores 2010,Futebol,Marketing Esportivo — Gustavo Scalzilli @ 20:03

Sabemos que a Commebol não é uma entidade que prima pela sua organização. Assim como as CBF. Basta ver a Taça Libertadores da América, o segundo torneio mais importante do futebol mundial, ter regulamentos estranhos, equipes convidadas e fraco potencial técnico.

Mas, para piorar a imagem, a taça de campeão tem que sofrer remendos pré festa do título. Parece que compraram a peça nessas lojas de artigos esportivos. Aqueles feitos de plástico.

Mesmo nos mínimos detalhes a organização peca. Vale observar a Liga dos Campeões em que a taça é cultuada como sendo o símbolo da heróica vitória. Bonita, impetuosa, reluzente o centro das atenções. Se ela é de plástico ou não, não sei (infelizmente nunca tive a oportunidade de pegar uma na mão). Mas será difícil ver um dia em que os comissários da UEFA irão consertá-la com cola.

Imagem da desorganização de uma entidade rica. E por aqui, os troféus são feios, difícies de carregar – alguém lembra do troféu que é réplica do palácio do governador que o campeão paulista recebe? Deve pesar uma tonelada – e de qualidade duvidosa. E assim caminha a organização esportiva desse país, da Copa e das Olimpíadas.

08/08/2010

E se a moda pega?

Filed under: Marketing Esportivo — Gustavo Scalzilli @ 13:23

Dunga durante entrevista coletiva na Copa do Mundo

A CBF foi condenada pela Justiça a pagar indenização a dois torcedores baianos devido ao comportamento “áspero, grosseiro e inconveniente, inclusive com palavras de baixo calão e gestos obscenos” do técnico Dunga durante a Copa do Mundo da FIFA.

Essa história me leva a pensar em duas coisas simultâneas:

1. Imagina se o torcedor começar a entrar na Justiça por tudo que os técnicos e dirigentes falam em suas entrevistas coletivas? Luxemburgo, Muricy, Leão, Nuzman, Perrela etc, iriam frequentar mais os tribunais do que as agremiações esportivas. Não seria legal?!?!?! Eu acho que sim…

2. As entidades esportivas deveriam se preocupar mais com a imagem que seus representantes expõem à mídia. E chamo de representante qualquer profissional que represente a entidade: técnico, jogador, dirigente, assessor de imprensa, diretor, roupeiro, gandula… seja ele quem for. Episódios iguais a de Dunga xingando o reporter da Globo, durante entrevista coletiva na África do Sul, estão cada vez mais comuns e, aparentemente, nenhuma entidade realiza um devido treinamento de como se comportar diante das câmeras. É básico isso! Mas ninguém se preocupa, pois nada acontece.

Talvez o pagamento dessa multa por parte da CBF seja um novo começo. Duvido, mas quem sabe….

30/07/2010

Inspeção sanitária

Filed under: Marketing Esportivo — Gustavo Scalzilli @ 11:30

mais_torcida_fora_do_que_dentro

Foi realizado nos EUA uma inspeção sanitária em todos os estádios e ginásios da NHL, NBA, NFL e MLB. Todas as principais ligas e times do país. O resultado foi assombroso expondo a baixa qualidade dos alimentos, do atendimento e da higiene.

Ao ler a página (em inglês) percebe-se que existem diferentes padrões de baixa higiene. Existem problemas desde do funcionário que não lava as mãos até 53 fezes de rato encontradas em uma única lanchonete. Mas todos são violações graves!

Bom, estamos falando de um país que sabe organizar eventos de primeira qualidade. De arenas que parecem um shopping center ao invés de um ginásio de basquete. Mas existem problemas. E muitos. Imagino o que seria encontrado se fossem realizadas inspeções nos estádios de futebol (só para citar um tipo de arena esportiva) aqui no Brasil.

Eu tenho uma boa experiência em estádios do estado de São Paulo. Da capital até o interior mais longínquo. E, infelizmente, me acostumei com a péssima higiene que encontro por aí. Fico admirado quando vejo mulheres entrando nos banheiros. Elas devem estar muito necessitadas para utilizarem tal fétido local. Lembro de uma vez que fui ao Pacaembú na torcida visitante, e o banheiro masculino estava, antes de começar o jogo, com água no chão na altura quase da canela. Não estou brincando. O que todos faziam? Urinava de cima da escada para dentro desse enorme piscinão. Uma cena, no mínimo, lamentável.

Tudo (banheiros, assentos, comida, atendimento etc) é de baixíssima qualidade. E ninguém faz nada. Os primeiros que deveriam se preocupar com isso são os próprios clubes. Eles que deveriam melhorar a qualidade do que servem aos seus torcedores para que, cada vez mais, aumente o número de expectadores. Porém é comum ouvir de dirigentes, e até torcedores, imaginem, que esse tipo de gasto não é importante para o time, o clube.

Além de ser um pensamento mesquinho, é, antes de tudo, pouco profissional. É pensamento de quem não sabe lidar com o seu principal cliente: o torcedor. Em tantas partidas de futebol que já presenciei nos estádios, verifiquei que crianças e mulheres são os maiores consumidores de comidas (pipoca, churros, refrigerante, chocolate, pastel etc) em estádios. E eles são minoria! Quando haverá um dirigente com visão e pensará nesse público que tende, sempre, a crescer nos estádios?

Fazer uma reforma nos banheiros custa, com certeza absoluta, menos de 1% da folha salarial de um clube da Série A. Porém esse “gasto” poderá reverter num aumento de, quem sabe, 20% do público feminino. O que acarreta, consequentemente, em aumento da arrecadação de produtos vendidos dentro do estádio, aumentando a arrecadação do clube. O mesmo vale para lanchonetes e ambulantes.

A conta é simples. Só falta um pouco de boa vontade e fiscalização severa. Caso contrário, ninguém se preocupará com isso.

19/07/2010

O custo do gol

Filed under: Futebol,Marketing Esportivo — Gustavo Scalzilli @ 14:10

Segundo o site UOL cada gol do Ronaldo custa ao Corinthians R$550 mil. Foram 7 gols em 7 meses.

É notório que o retorno de mídia e exposição dos patrocinadores aumentou após a contratação do atacante. Mas a discussão, em relação à validade desse tipo de ação, é sempre válida. Muitos clubes realizam ações de impacto esperando um retorno equivalente. Porém, é sabido que pouco acontece. Inclusive, fica a preocupação em relação ao time corintiano: se Ronaldo não frequentar os gramados nos próximos meses, o retorno continuará alto para os patrocinadores?

O mesmo acontece com os salários dos jogadores considerados “normais”. A folha salarial é absurdamente alta em comparação ao retorno que esses jogadores realizam aos clubes. Jogadores de nível técnico duvidoso ganham pequenas fortunas de clubes com média de público abaixo de 5mil pagantes e faturamento abaixo do que paga-se de salário. Mas a culpa é de quem? Para mim, dos clubes. Enquanto não houver uma união entre eles para acabarem com essa discrepância de valores, o jogo continuará o mesmo.

E quanto aos treinadores? Qual o real retorno de um técnico que ganha R$ 400mil por mês? Para mim, nenhum. No Brasil não há clube que consiga arcar com esse tipo de remuneração. No exterior, talvez.

Esse ponto precisa ser revisto para que clubes não aumentem cada vez mais suas dívidas. Mas isso depende somente deles. Ninguém mais.

08/07/2010

Festa francesa

Filed under: Marketing Esportivo — Gustavo Scalzilli @ 14:43

Estou acompanhando a Volta da França (Tour de France) e fico admirado como a competição é capaz de levar milhares de torcedores às ruas para ver de perto os atletas.

Dependendo da localização a velocidade com que os atletas passam chega a 65km/h. Até mais. Os fãs ficam horas esperando o momento em que podem acompanhar a prova. E tudo passa muito rápido. Porém, fazem pic-nics, churrasco, festas etc. É tudo uma grande festa. O ciclismo é uma grande festa para os franceses e europeus em geral.

Uma pena que aqui no Brasil não tenhamos o mesmo carinho por esse esporte tão bonito e competitivo. Lembro que ano passado a Volta de São Paulo passou por Campinas, e no quarteirão atrás de minha casa. Incrível que não tinha nada indicando que eles passariam por ali. Nenhuma faixa, outdoor ou sequer comunicado para o bairro. Assisti totalmente sem querer quando fiquei preso no trânsito esperando a passagem dos atletas. Foi lindo de ver. Uma pena que não estive preparado, fazendo minha festa particular.

Esse é um ponto importante dos eventos esportivos de grande porte: envolver a comunidade em que eles são realizados. Muitas competições passam um curto espaço de tempo em uma determinada cidade. E na grande maioria, passa desapercebida. O envolvimento das comunidades é fundamental para angariar novos fãs para esportes menos conhecidos, como ciclismo ou corrida de aventura. Uma boa maneira de realizar o envolvimento é com a geração de worskshops com os atletas para apresentar e expor a modalidade.

Precisamos pensar nisso. Caso contrário sempre estaremos com públicos reduzidos e dificuldade de justificar os investimentos dos patrocinadores.

22/06/2010

A imagem do patrocinador

Filed under: Marketing Esportivo — Gustavo Scalzilli @ 12:08
oops!

oops!

Durante essa semana o banco francês Credit Agricole SA suspendeu a exibição de propagandas de televisão em que astros da seleção francesa de futebol aparecem. A enorme confusão em que se encontra a agremiação francesa foi o motivo da ação.

O problema é simples: não vincular a imagem da empresa à uma associação esportiva que apresente problemas publicamente. A ação pode ter algumas interpretações e reações do mercado. Mas é comum atletas profissionais se envolverem em confusões dentro e fora do âmbito esportivo. E o pior: muitas vezes as imagens são exibidas por TV e internet. Nesse momento a marca da empresa é automaticamente vinculada aos acontecimentos.

A seleção francesa não é a única a sofrer esse tipo de recuo de patrocínios. Tiger Woods perdeu boa parte dos seus apoiadores após se envolver em escândalos extraconjugais. É difícil julgar como errada esse tipo de atitude. Como ficaria a imagem da empresa nesses acontecimentos? Cumplicidade? Descaso? É realmente complicado.

O que é importante é que toda gestão de marketing esportivo tem que se preocupar com a imagem de sua equipe e/ou atleta. Brigas, escândalos, entrevistas mal executadas etc, são armadilhas que devemos ficar atentos.

A NBA possui cartilha de comportamento de todos os atletas da liga. Todos, eu disse. Envolve desde da roupa utilizada até obrigação de presença nos inúmeros programas sociais desenvolvidos por eles. Essa é uma forma de minimizar o envolvimento de seus atletas com eventuais problemas e evitar expor a marca da liga e seus patrocinadores.

No futebol brasileiro há muito o que se aprender nesse sentido. Outro dia assisti no Globo Esporte o filho do Jorge Henrique (atacante do Corinthians) jogando bola no treino. Uma imagem ingênua de uma criança “batendo sua bola”. Porém ela estava vestindo uma camiseta com a logo marca da Adidas, concorrente direto da Nike patrocinadora do clube. A imagem foi vinculada para todo o território nacional. Nessas horas me pergunto: em que lugar estava a assessoria corintiana para evitar esse tipo de gafe?

É, precisamos aprender muito ainda.